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| OPINIÃO: FINAL DE "A QUE NÃO PODIA AMAR" NO SBT É MAIS UM DESASTRE E DESRESPEITO COM OS NOVELEIROS

Exibida desde abril de 2019 com bastante alarde, a mexicana "A Que Não Podia Amar", transmitida originalmente no México em 2011, encerrou seu ciclo no SBT na noite desta terça (12).

O casal Ana Paula e Rogério ganham um final feliz, enquanto Gustavo, é morto por um disparo de revólver após luta corporal com o vilão Bruno - Imagem: Televisa/SBT - Reprodução.

Ao longo de sua trajetória nas Novelas da Tarde, Ana Brenda Contreras deu vida a uma mocinha sofredora e vítima das armadilhas de sua ambiciosa tia. Na história, ela cai num golpe da tia que, tentando se dar bem, aproveita das intenções do malvado Rogério Monteiro, papel de Jorge Salinas, que precisa de uma enfermeira para lhe ajudar, já que é deficiente físico. Para não mandar o irmão de Ana Paula para cadeia, ela acaba entrando num contrato que diz que ela é obrigada a se casar com o fazendeiro e permaneceram casados durante um período.

Num panorama geral da novela, é possível avaliar como uma história arrastada e cansativa e que, portanto, não necessitava de 166 capítulos para ser contada, sobrando momentos dispensáveis e andar em círculos. Aos personagens é interessante relembrar a caminhada da protagonista, Ana Paula. Vítima de um complô, inicia a novela apaixonada pela engenheiro Gustavo (José Ron), acabam sendo separados pelos vilões e cai nas mãos de Rogério, um homem cuja amargura, violência exagerada e descontrole emocional são justificados como "um homem carente e sofrido por sua condição física". É aí que a personalidade de mulher forte, determinada e empoderada é sucumbida por uma história de amor que romantiza a violência. Segundo o roteiro, Rogério só precisa reencontrar o verdadeiro amor para deixar de bater em todo mundo com um chicote, gritar e determinar ordens. A resolução que a trama dá aos seus "problemas" é obrigar a protagonista a ser casar com ele, numa relação, a princípio, de fechada e que posteriormente, é transformado em um amor possessivo, tóxico, chegando ao ponto dele instalar grades nas janelas da casa e colocar seguranças para impedir que ela saia da fazenda, fora o fato de usar o casamento para segurá-la ao seu lado quando ameaça entregar o irmão dela, Miguel, para polícia, caso não aceite o acordo. Enquanto isso, ela vai se descobrindo apaixonada, com dúvidas e o público, vai torcendo pelo casal e pela história de amor dos dois.

O castigo do vilão Bruno (Julián Gil) é ser preso e estuprado na cadeia, mas no SBT não houve uma exibição clara e parcial desse final do personagem - Imagem: Televisa/SBT - Reprodução.

Agora, se o povo reclamou do primeiro capítulo exibido pelo SBT, que retirou qualquer lapso de violência e reduziu 50 minutos a aproximadamente 30 minutos, o que falar do último capítulo? A edição do SBT sempre cansa o público durante períodos em que as novelas já entram em momentos que chamamos de "barriga", um termo usado para enrolar a história por falta de assunto ou acontecimentos relevantes. Sempre na reta final, a emissora desanda loucamente a editar e reduzir o capítulo para caber no tempo diário e previsto para se encerrar a trama, o que ocorreu com "A Que Não Podia Amar". Acreditem se quiser, o último capítulo original (que é dividido em duas partes no formato de vendas) possui, mais ou menos, uma hora e meia de duração e na versão vendida pela Televisa, a segunda parte possui 55 minutos. No SBT, esse mesmo último capítulo foi apresentado de forma extremamente mal editado e ainda, em aproximadamente 30 minutos.

Por erros estratégicos de programação, o horário em que "A Que Não Podia Amar" era levada ao ar não era o próprio de novelas mexicanas inéditas da emissora. Com o final da reprise de "A Dona", no segundo horário, recorreram, às pressas, para uma reapresentação de "Abismo de Paixão", faixa que pertencia para as produções inéditas, enquanto o primeiro servia para reprises. Tendo encerrado a história de Ana Paula e Rogério, a emissora escolheu uma reprise para a vaga de substituta, a excelente "Meu Coração É Teu". Assim como aconteceu após o fracasso de "Que Pobres Tão Ricos" em 2018 e entrada do repeteco de "Teresa", o SBT novamente deixa o público à mercê de reprises ao temer estrear uma novela no final de ano e ainda, desperdiça um contrato de exclusividade com a rede Televisa que em tempos de contenção de gastos, significa a saga incansável de um dramalhão de desperdício financeiro: A Que Não Podia Gastar e Mesmo Assim Gasta!



Obrigado pela visita e até a próxima!

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